Guerra de Canudos (original) (raw)
| Guerra de Canudos | |
|---|---|
| Data | 7 de novembro de 1896 – 5 de outubro de 1897 |
| Local | Bahia, Brasil |
| Desfecho | Vitória das tropas federais e destruição total da cidade de Canudos |
| Beligerantes | |
| Conselheiristas |
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| Comandantes | |
| Antônio Conselheiro †João Abade †Pajeú †Joaquim MacambiraPedrão Virgílio Pereira de AlmeidaManoel da Silva Pires FerreiraFebronio de BritoAntônio Moreira César †Coronel Tamarindo †Artur OscarJoão da Silva BarbosaCláudio do Amaral SavagetSaturnino Arouck | |
| Forças | |
| 25 000 (estimado) 12 000 | |
| Baixas | |
| 20 000 (estimado) 5 000 (estimado) |
Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos[1] foi um conflito armado que envolveu o Exército Brasileiro e membros da comunidade socio-religiosa liderada por Antônio Conselheiro, em Canudos, no interior do estado da Bahia. Os confrontos ocorreram entre 1896 e 1897, com a destruição da comunidade e a morte de grande parte dos 25 000 habitantes de Canudos.
A região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença de uma salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.
Os grandes fazendeiros da região, unindo-se a parte do clero local, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia.
Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos.[2] Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, o que apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as casas do arraial.
Mapa da localização de Canudos
No final do século XVI e início do século XVII, a necessidade de terras para a pecuária, atividade que não conseguia conviver pacificamente com a cultura da cana-de-açúcar no litoral da Bahia, foi empurrada para o semiárido baiano, incluindo o nordeste do estado, onde Canudos se situa. A pecuária dos sertões, diferentemente da cultura canavieira na Zona da Mata, exigia grandes extensões de terra e pouca mão-de-obra, sendo dominada por latifúndios, como a Casa da Torre da família d’Ávila.[3]
Nesse contexto, formou-se a estrutura fundiária que dominou o nordeste da Bahia por séculos, baseada no poder de algumas famílias, criação de gado e concentração de terras nas mãos de latifundiários.[3]
A história da região foi marcada por diversos conflitos. Enquanto grandes fazendeiros queriam escravizar a população indígena durante a colonização, chegaram à região missionários, sobretudo jesuítas, para proteger os ameríndios e suas terras. Ao mesmo tempo, uma grande população de homens livres pobres, entre brancos, mestiços, indígenas e ex-escravizados, sobrevivia em pequenos sítios ou como agregados de grandes fazendeiros, sendo pressionada pela falta de acesso à terra e expansão dos latifúndios.[3]
Monte Santo, vila em cujo território a Guerra de Canudos se desenrolou, tendo se emancipado de Itapicuru em 1837, tem suas origens em outubro de 1785, quando o religioso italiano Frei Apolônio de Todi rezou uma missa no sopé de uma serra, chamada Piquaraçá, a qual, por achar similar ao Calvário em Jerusalém, chamou de Monte Santo.[4][5]
Caricatura na Revista Ilustrada, retratando Antônio Conselheiro, com um séquito de bufões armados com antigos bacamartes, tentando "barrar" a República
Antônio Vicente Mendes Maciel nasceu em 13 de março de 1830 na vila de Quixeramobim, no Ceará, sendo filho de Vicente Mendes Maciel, ex-vaqueiro e analfabeto que se tornou um comerciante de secos e molhados de relativo sucesso, e de Maria Joaquina de Jesus, conhecida como Maria Chana. Com quatro anos de idade, perdeu a mãe e o pai se casou novamente em 8 de fevereiro de 1837 com Francisca Maria da Conceição, com quem Antônio não mantinha boas relações, por ser considerada geniosa e severa. Com isso, o menino manteve seus estudos, em vez de seguir os estudos de sacerdote, como o pai desejava.[6][7]
O jovem Antônio teve uma educação superior à de sua época e local. Aprendeu a ler, escrever e contar com um amigo do pai e, posteriormente, ingressou na escola particular do conhecido educador da região Manuel Ferreira Nobre, onde estudou português, geografia, aritmética, latim e francês. Gostava de ler obras que combinavam instrução, romance e temas heroicos. Sua educação lhe permitiu que pudesse ler e citar os Evangelhos em latim, os doutores da igreja (como Santo Agostinho, São João Crisóstomo e São Tomás de Aquino) e clássicos greco-romanos como Homero e Virgílio.[8][9]
A infância e a juventude de Antônio Conselheiro foram marcadas pela disputa entre as poderosas famílias do sertão do Ceará Maciel, à qual pertencia, e Araújo, de ricos fazendeiros, a qual se iniciou em 1833, devido à uma acusação de roubo contra os Maciéis, resultando em uma vingança coletiva contra eles. A justiça na época era parcial, sendo controlada pela família Araújo. Nesse conflito, faleceram o avô de Antônio, Miguel Mendes Maciel, e vários membros da família. Essas experiências levaram Antônio a desconfiar das autoridades, certo de que a Justiça servia aos poderosos e de a lei muitas vezes era uma farsa.[10][11]
Em 5 de abril de 1855, Vicente Mendes Maciel faleceu e Antônio, como filho primogênito, assumiu responsabilidade pelas três irmãs solteiras e pelos negócios do pai, que estavam em uma situação complicada. O filho tentou dar continuidade aos negócios do pai, mas a base precária e a difícil situação do Ceará na época, devido sobretudo às frequentes secas, inviabilizaram o comércio. Em 1856, para sanar as dívidas herdadas do pai, foi obrigado a hipotecar a residência e a sede do negócio. Em 19 de janeiro de 1857, Conselheiro casou-se com Brasilina Laurentina de Lima.[11][12]
Em setembro de 1857, vendeu a casa onde residia e a sede do negócio e mudou-se com a esposa para a Fazenda do Tigre, a cerca de 50 km de sua cidade natal, onde abriu uma escola primária e onde também nasceu seu primeiro filho. Nos anos seguintes, em busca de melhores condições de vida, mudou para diversas localidades do Ceará, como Tamboril, Campo Grande e Ipu, exercendo diversas profissões, como caixeiro, escrivão e solicitador (uma espécie de advogado provisionado).[13][14]
Por volta de 1861, em Ipu, Brasilina abandonou o marido e os dois filhos para viver com um furriel da Força Pública. Após isso, por algum tempo, viveu maritalmente com a artista Joana Batista de Lima, com quem teve um filho, de quem se separou quando esta preferiu ficar em Santa Quitéria a peregrinar pelos sertões com Antônio. Em 1865, iniciou a sua peregrinação pelos sertões das províncias do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Não era um andarilho sem orientação ou um louco, mas estava em um paciente aprendizado, percorrendo povoações e fazendas e observando a realidade social do sertanejo, acreditando estar em uma missão divina. Gradualmente construiu a imagem de liderança carismática que o tornaria chefe de Belo Monte. Nessa época, adquiriu o apelido de Antônio Conselheiro.[15][16]
Uma das inspirações de Conselheiro foi o Padre Ibiapina, figura importante do catolicismo popular nordestino, que peregrinou pelos sertões da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, onde construiu casas de caridade, hospitais, cemitérios, igrejas e açudes.[17][18]
“**Apareceu no sertão do Norte um indivíduo, que se diz chamar Antônio Conselheiro e que exerce grande influência no espírito das classes populares. Deixou crescer a barba e os cabelos, veste uma túnica de algodão e alimenta-se tenuemente, sendo quase uma múmia. Acompanhado de duas professas, vive a rezar terços e ladainhas e a pregar e dar conselhos às multidões, que reúne onde lhes permitem os párocos.**”
— Descrição da Folhinha Laemmert, de 1877, reproduzida por Euclides da Cunha em Os Sertões, 1902.
Em 1874, Antônio Conselheiro já era conhecido e contava um significativo número de adeptos, aparecendo, nesse ano, em Itabaiana (Sergipe), depois seguindo para a Bahia. Sua fama já tinha chegado ao Rio de Janeiro, então capital do Império: a Folhinha Laemmert de 1877 registrava que o peregrino exercia grande influência entre as classes populares, que rezava terços e ladainhas, pregava e dava conselhos à multidão. Em 1875, em Aporá (Bahia), pediu ao vigário da povoação autorização para rezar um terço e pregar, mas o vigário apenas autorizou o primeiro pedido, recomendando, em relação ao segundo, o direito de puxar orações. Nessa época, sua vestimenta já estava definida, com barbas e cabelos compridos, um camisolão de brim azul sem cintura, um chapéu de abas largas e sandálias. Comia com moderação, dormia sem conforto e vivia de esmolas.[19][20]
Em 6 de junho de 1876, em Itapicuru (BA), ocorreu a primeira prisão de Conselheiro, acusado falsamente de ter matado a mãe e a esposa. A prisão teve motivos políticos, pois o líder religioso entrou em conflito com o vigário da vila e sua influência incomodava lideranças políticas e autoridades regionais, como o Barão de Jeremoabo. Seus apoiadores tentaram impedir a prisão, o que o peregrino foi contra. Em 19 de agosto, após ser transferido para o Ceará, o juiz de direito de Quixeramobim, após verificar a ausência de denúncias contra ele, mandou liberar Antônio, cuja prisão aumentou seu prestígio entre os sertanejos, com uma imagem de um líder perseguido pelos poderosos.[21][22][23]
Liberto, o líder cristão cearense retornou à Bahia, peregrinando por diversas localidades da província entre 1876 e 1892, onde construiu e reformou diversos açudes, cemitérios e igrejas, como as igrejas de Cumbe (atual Euclides da Cunha) e de Chorrochó e a reforma da via sacra de Monte Santo, construída cem anos antes pelo frei Apolônio de Todi. Também graças a ele surgiu o arraial de Bom Jesus (atual cidade de Crisópolis), onde ergueu uma capela e um cruzeiro e servindo de uma espécie de ensaio geral para Canudos.[24][25]
Em 1886, as atividades do Conselheiro incomodavam as autoridades. O delegado da vila de Itapicuru, Luís Gonzaga de Macedo, enviou um ofício ao chefe de polícia com uma denúncia de que os seguidores do líder religiosos estavam armados com facas, facões e clavinotos e que o pregador desrespeitava explicitamente o vigário de Inhambupe.[26] Em 1887, o Arcebispo da Bahia, Dom Luís Antônio dos Santos, solicitou ao presidente da província da Bahia a internação de Conselheiro em um hospício no Rio de Janeiro, acusando-o de ser um mal à Igreja, o que não foi atendido, mas evidenciou a crescente hostilidade com a religião.[27]
Jagunços baianos posando para foto. O jaguncismo deu-se início no século XIX na Bahia, e ganhou mais notoriedade durante a guerra de Canudos, com a revolta de sertanejos pobres.
Com a abolição da escravidão, em 13 de maio de 1888, pela Lei Áurea, não houve políticas de integração dos ex-escravizados à sociedade. Com isso, muitos deles vagavam pelas estradas e sertões, sem terra e amparo do Estado e com poucas oportunidades de trabalho.[28][29]
No que é hoje a Região Nordeste do Brasil, em especial na Bahia, o impacto da abolição foi agravado por uma crise demográfica, pois a província perdia a cada ano população com potencial de trabalho devido às secas, fome e migrações, além da concentração fundiária, este último impedindo a criação de uma economia camponesa autônoma, o que levou sertanejos para Salvador ou para o Sudeste do Brasil. O governo da Bahia tentou incentivar, sem sucesso, a imigração de asiáticos e europeus para substituir os antigos escravizados, revelando o enorme preconceito da elite baiana em relação aos sertanejos, vistos como “preguiçosos” e “poucos aptos ao trabalho”, mas, na verdade, temiam sua revolta devido à exclusão do direito à terra.[28]
Antônio Conselheiro, que já era abolicionista desde o início de suas pregações, viu a Lei Áurea como um ato divino concretizado por meio de lei, pondo fim ao sofrimento e à crueldade dos escravizados.[30][31]
Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, houveram avanços econômicos, sociais e políticos em certos aspectos, mas não houve participação política ou atendimento aos interesses dos camponeses. Além disso, não foi realizada a reforma agrária, mantendo a concentração fundiária.[32]
Economicamente, a política econômica do novo regime, como o encilhamento de Ruy Barbosa, trouxe uma crise econômica, com a inflação bastante sentida pela população mais pobre. Na Bahia, a crise foi aprofundada, com a receita das exportações caindo sem parar. Para suprir isso, as elites do estado aumentaram os impostos sobre a população. Com o regime federalista imposto pela República, que dava autonomia aos municípios, estes passaram a criar novos tributos. Para os sertanejos, o regime republicano era visto como sinônimo de miséria e aumento de impostos.[33]
A abolição da escravidão foi saudada por Conselheiro, mas a República não, pois esta adotou como medidas como o casamento civil, a separação entre Igreja e Estado e a transferência dos cemitérios para a administração pública, medidas que, para o líder religioso, eram uma afronta aos valores católicos nos quais foi criado. Quando o clero reconheceu a nova forma de governo, este passou a perseguir Conselheiro também.[34]
A soma desses fatores anteriormente citados levou à criação de Belo Monte, em 1893.
Canudos em 1897. Fotografia de Flávio de Barros, fotógrafo do Exército
Com a cobrança de impostos pelos municípios baianos a partir de 1893, estes passaram a fixar editais das cobranças de tributos, afetando duramente a camada popular sertaneja, mas bem menos os grandes fazendeiros. Nesse contexto, Antônio Conselheiro instruiu seus fiéis a arrancarem os editais e queimassem as tábuas que os continham publicamente, tendo essa situação ocorrendo em diversos municípios do interior baiano, como Soure (atual Nova Soure), Amparo (atual Ribeira do Amparo) e Bom Conselho (atual Cícero Dantas), em um período de oito dias. Isso tratava-se de um protesto contra o regime republicano. Com isso, o juiz de direito de Bom Conselho, Arlindo Leoni, pediu ao então governador da Bahia, Rodrigues Lima, o envio de tropas para acalmar a situação.[35][36][37]
Em resposta, o governador enviou 35 soldados, sob o comando do tenente Virgílio Pereira de Almeida, para prender Conselheiro. No entanto, a tropa foi derrotada no final de maio de 1893, em Maceté, uma povoação da então vila de Tucano, hoje pertencente ao município de Quijingue, pelos conselheiristas armados com facões, foices, bacamartes e clavinotes. O choque de Maceté aumentou a popularidade do líder religioso entre os sertanejos.[38][39][40]
A derrota da polícia baiana em Maceté alarmou o governo estadual. Rodrigues Lima, temeroso de um conflito maior em uma região em que a população apoiava muito fortemente Conselheiro, solicitou ao Presidente da República Floriano Peixoto o envio do Exército e 80 soldados, comandados por João Camilo da Silva Seixas, os quais foram postos à disposição do governo da Bahia e chegaram a Serrinha em 9 de junho de 1893. No entanto, o temor de uma nova derrota como em Maceté levou a tropa a ser recuada para Salvador.[40][41]
Com as tréguas militares, Conselheiro e seus fiéis resolveram estabelecer-se em um local seguro e isolado, onde pudesse fundar a sua comunidade e defender-se de possíveis ataques. Profundo conhecedor do sertão, escolheu se estabelecer em uma povoação abandonada chamada Canudos, na vila de Monte Santo, nas margens do Rio Vaza-Barris, em junho de 1893, pouco tempo após a derrota da polícia em Maceté.[42] Ao chegar ao povoado, rebatizaram-no de Belo Monte.[43][44][45]
Belo Monte estava na encruzilhada de várias estradas, mas estava isolada por estar em um terreno acidentado, cercado por serras, e por estar cercada pela Caatinga. Antes de ser transformada, Canudos era uma povoação inexpressiva, com cerca de 250 pessoas, a grande maioria vivendo em casebres de taipa e palha. Seu nome, segundo Euclides da Cunha, vinha do fato de “pitar uns esquisitos cachimbos de barro em canudos de metro de extensão”.[46][47][48]
Com a chegada dos apoiadores do líder religioso, o povoado transformou-se rapidamente. Em pouco tempo, tornou-se o segundo maior núcleo da Bahia, superado apenas por Salvador, tendo atraído sertanejos pobres e desvalidos e pequenos proprietários da região, escravizados libertos há poucos anos, indígenas vindos de aldeias próximas (como Massacará e Mirandela) e até mesmo alguns fazendeiros adeptos do conselheirismo.[49] O êxodo foi tão grande que o Barão de Jeremoabo disse, em uma citação mencionada na obra Os Sertões, de Euclides da Cunha:
Alguns lugares desta comarca e de outras circunvizinhas, e até do Estado de Sergipe, ficaram desabitados, tal a aluvião de famílias que subiam para os Canudos, lugar escolhido por Antônio Conselheiro para o centro de suas operações. Causava dó verem-se expostos à venda nas feiras, extraordinária quantidade de gado cavalar, vacum, caprino, etc., além de outros objetos, por preços de nonada, como terrenos, casas etc. O anelo extremo era vender, apurar algum dinheiro e ir reparti-lo com o Santo Conselheiro.[50]
Pintura retratando Canudos antes da guerra
No entanto, a recém-formada comunidade não se revelou o caos desordenado que seus opositores previam. Conselheiro implementou uma organização administrativa rudimentar, designando uma guarda para proteger o arraial e o próprio líder, sendo formada por devotos leais munidos de clavinotes e, mais tarde, armados com os fuzis Mannlicher e espingardas Comblain apreendidos das forças do governo. Uma "rua do Comércio" abrigava as lojas de Antônio Vilanova, o comerciante mais bem-sucedido do arraial, e de outros comerciantes. Foram edificadas duas igrejas: a Igreja Velha, consagrada a Santo Antônio, finalizada ainda em 1893 e abençoada pelo pároco de Cumbe, Vicente Sabino dos Santos; e a Igreja Nova, dedicada ao Bom Jesus, de dimensões muito maiores e com paredes tão robustas que lembravam uma fortaleza, cuja edificação foi interrompida pelo conflito. Existiam também uma prisão apelidada de "poeira" (frequentemente desocupada), duas escolas, um cemitério nos fundos da igreja antiga, uma botica sob a responsabilidade do curandeiro Manuel Quadrado, e até mesmo um vale impresso emitido por Antônio Vilanova, usado como dinheiro nas áreas próximas.[51][52][53]
A economia canudense era baseada na agricultura de subsistência de gêneros como milho, feijão, cana e mandioca, com a propriedade coletiva da terra, e a criação de gado bovino e caprino, cujo couro era exportado para outras partes do Brasil e para o exterior. Não havia mendigos nem miséria extrema e havia extrema ordem e ausência de criminalidade. Antônio Conselheiro, que não era sacerdote, era venerado como santo e liderança inconteste da povoação.[54][55]
O estopim da Guerra de Canudos foi algo banal em relação à sua magnitude. Em 1896, Antônio Conselheiro, por meio de Joaquim Macambira, encomendou madeira para a construção da igreja nova a um comerciante de Juazeiro, coronel João Evangelista Pereira de Melo. O pagamento foi feito adiantado, como era de costume nas compras de Conselheiro, mas a madeira não foi entregue na data certa, por pressão de Arlindo Leoni, que era juiz de direito de Juazeiro, o qual espalhou o boato de que a cidade seria invadida por jagunços conselheiristas para buscar a madeira à força. Em 29 de outubro de 1896, o juiz telegrafou para Luís Viana, governador da Bahia, sobre a suposta invasão e falando da necessidade de providências.[56][57][58]
O governador, inicialmente cético, cedeu às pressões. O comandante do terceiro Distrito Militar, o general Frederico Solon, viu o pedido de proteção à cidade de Juazeiro como uma autorização para destruir Belo Monte. Em 6 de novembro de 1896, um trem deixou Salvador com 117 pessoas, das quais uma não era militar, liderados por tenente Manuel da Silva Pires Ferreira. A tropa chegou a Juazeiro no dia seguinte e esperou por cinco dias pela esperada invasão, que não ocorreu. Ansioso e certo de uma vitória simples, o tenente optou por avançar em direção a Canudos, situada a aproximadamente 200 km em um território hostil. Assim, dava-se o pontapé inicial para a guerra.[59][60]
Inicialmente, 120 soldados, pouco preparados e com armamentos inadequados para o sertão, marcharam por sete dias até Uauá, na época uma pequena povoação. Na madrugada de 21 de novembro de 1896, os soldados se depararam com uma curiosa procissão vinda de Canudos rumo ao arraial, com homens armados com clavinotes, facões, foices, chuços e varapaus, liderados por Quinquim Coiam. Os sentinelas, liderados por João Abade e Pajeú, abriram fogo, e o confronto durou cinco horas. Para o espanto dos militares, os seguidores de Antônio Conselheiro não cederam: combateram em luta física, e a tropa, encurralada e com a munição no fim, precisou se retirar. Antes de deixar Uauá, os soldados pilharam e queimaram o povoado. A expedição registrou dez mortos (incluindo um oficial, um suboficial e os dois guias) e vinte feridos. O médico perdeu a sanidade mental devido ao pavor. Foi a primeira vitória dos conselheiristas.[61][62]
O fracasso da investida inicial foi um baque considerável para o Exército e gerou instabilidade no cenário político da Bahia. As divergências entre o governador Luís Viana e o general Frederico Solon atrapalharam a organização de um novo grupo de militares até que, no dia 25 de dezembro de 1896, a segunda ofensiva em direção a Canudos partiu de Salvador, sob o comando do major Febrônio de Brito, sendo formada por 609 soldados, munidos de duas metralhadoras Nordenfelt e dois canhões Krupp. O plano era alvejar Canudos por um caminho diferente, começando em Queimadas e prosseguindo por Monte Santo. No entanto, a viagem enfrentou complicações devido a atrasos, escassez de mantimentos e desconhecimento do terreno. Em 16 de janeiro de 1897, na serra do Cambaio, os conselheiristas, agora comandados por João Grande e Estevão, emboscaram a coluna em marcha e o confronto durou cinco horas, e os habitantes locais, protegendo-se em trincheiras de pedra, infligiram pesadas perdas aos militares. No dia seguinte, um novo ataque, desta vez com cerca de quatro mil sertanejos liderados por Pajeú e Lalau, levou Febrônio de Brito a ordenar a retirada das tropas. Pressionados pelos combatentes, os soldados recuaram até Monte Santo em estado lastimável, sem comida, feridos e completamente esgotados. Era o segundo triunfo de Antônio Conselheiro.[63][64]
Chegada das forças que vieram da Guerra de Canudos na Bahia
As duas derrotas consecutivas abalaram o Brasil e tiveram repercussões políticas no Rio de Janeiro. O então presidente da República, Prudente de Morais, foi pressionado pelos apoiadores do ex-presidente Floriano Peixoto, que viam no conflito uma oportunidade para desgastar o primeiro governo civil republicano e impor o seu regime. Na terceira expedição, foi escolhido como líder o coronel Antônio Moreira César, um dos mais prestigiados militares do exército, reconhecido pela sua repressão na Revolução Federalista, onde recebera o apelido de “corta-cabeças”. Epiléptico, Moreira César partiu para a Bahia em fevereiro de 1897 com 1,3 mil soldados, 15 milhões de munições e seis canhões Krupp e certo de uma vitória fácil.[65][66]
Em 2 de março de 1897, a expedição chegou próxima a Canudos e, no dia seguinte, Moreira César ordenou o ataque. Inicialmente, o bombardeiro derrubou muitas das frágeis casas de taipa e alguns militares conseguiram entrar no arraial, mas logo os conselheiristas reagiram, atirando das suas trincheiras, do alto das árvores e de dentro das casas, impondo pesadas derrotas à tropa. No auge do combate, montado em seu cavalo, Moreira César foi atingido por uma bala na barriga e, bastante ferido, foi levado para a retaguarda, onde faleceu durante a madrugada. Com isso, o coronel Pedro Nunes Tamarindo assumiu o controle, em uma situação desesperadora. Na manhã seguinte, a retirada transformou-se em debandada, com o abandono de armas, munições, fardamentos e até canhões pelos militares, com o arsenal abandonado sendo capturado pelos apoiadores de Conselheiro, apesar de não poderem utilizá-los pela falta de artilheiros. O coronel Tamarindo foi morto durante a fuga e, com isso, a terceira expedição foi derrotada.[67][68][69]
General Artur Oscar
A morte de Moreira César provocou pânico no Brasil, pois temia-se, falsamente, de que Conselheiro era parte de uma conspiração que visava à restauração da monarquia. Jornais monarquistas foram fechados, e um clima de histeria tomou conta da capital federal. O governo de Prudente de Morais decidiu, então, organizar uma expedição de proporções nunca antes vistas no país, com seu comando entregue ao general Artur Oscar de Andrade Guimarães, experiente militar que lutara na Guerra do Paraguai e na Revolução Federalista.[70][71]
A quarta expedição mobilizou, no total, entre 10 mil e 12 mil soldados, quase metade do efetivo do Exército na época, além de forças policiais de vários estados, contando com 21 canhões, incluindo o temido Whitworth 32 (apelidado pelos sertanejos de "Matadeira"), e milhões de munições. Duas colunas compunham a expedição: uma, partindo de Queimadas, liderada pelo general João da Silva Barbosa e outra, partindo de Aracaju, liderada pelo general Cláudio do Amaral Savaget, com o objetivo de cercar o arraial messiânico por todos os lados e combater possível resistência.[72][73]
O avanço das tropas foi muito complicado, devido ao relevo acidentado, a escassez de água e os frequentes embates das guerrilhas conselheiristas. Em Cocorobó, a coluna liderada por Savaget sofreu intensos ataques e o comandante ficou ferido. Em 27 de junho de 1897, os dois grupamentos se juntaram em frente a Canudos e tomaram o Morro da Favela e, nos dias seguintes, os confrontos foram intensos, com perdas significativas para ambos os lados. Em 18 de julho, uma investida direta ao povoado foi derrotada, causando mais de 900 mortos e feridos entre os militares. A condição dos militares do cerco a Canudos era grave, pois, isolados por combatentes que interceptavam suas provisões, os soldados padeceram com a fome e a carência de água, e muitos desertaram seus postos, forçando o general Artur Oscar a solicitar apoio extra do governo federal.[74][75]
Em agosto e setembro de 1897, novas tropas chegaram à Bahia, incluindo uma brigada liderada pelo general Miguel Maria Girard e, mais tarde, uma divisão chefiada pelo general Carlos Eugênio de Andrade Guimarães, irmão de Artur Oscar, e o próprio Ministro da Guerra, marechal Carlos Machado Bittencourt, foi para Monte Santo para acompanhar o conflito. Com o cerco completo e o abastecimento cortado, a situação ficou em caos, pois a população canudense morreu de fome e sede e houve epidemias de varíola e cólera entre os sertanejos.[76][77]
Mulheres e crianças, seguidoras de Antônio Conselheiro, presas durante os últimos dias da guerra
Em 22 de setembro de 1897, Conselheiro faleceu, provavelmente vitimado pela disenteria. No amanhecer de 1º de outubro, ocorreu o assalto final, com 21 canhões bombardeando Belo Monte por meia hora, para depois a tropa avançar, com poucos conselheiristas sobrando. Nos dias seguintes, os militares incendiaram as casas e dinamitaram o que sobrava. Em 3 de outubro, Antônio Beatinho e dois de seus companheiros negociaram a rendição de 300 idosos, mulheres e crianças sobreviventes, com a garantia de Artur Oscar de que suas vidas seriam salvas, mas, após a entrega dos prisioneiros de guerra, estes foram degolados, incluindo os três emissários. A resistência continuou até o dia 5, em cujo final de tarde restavam apenas quatro conselheiristas lutando, e, após a morte de um deles, terminou o conflito. Belo Monte, que chegou a ter 25 mil habitantes, foi destruída e suas casas incendiadas ou dinamitadas. Quase todos os seus habitantes já haviam falecido.[78][79]
O corpo de Conselheiro foi exumado e sua cabeça, cortada e enviada para a Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador.[80]
Antônio Conselheiro morto, em sua única foto conhecida, tirada por Flávio de Barros no dia 6 de outubro de 1897
Logo após a guerra, foi publicada uma série de obras escritas por testemunhas oculares, como militares, jornalistas e médicos. Entre outros (em ordem cronológica):
- 1898 - Canudos, história em versos, do poeta Manuel Pedro das Dores Bombinho, que participou como militar da Quarta Expedição contra o arraial.[81]
- 1899 - Descrição de uma Viagem a Canudos, de Alvim Martins Horcades, estudante de medicina a serviço do Exército, que descreve suas experiências no campo de batalha e denuncia a degola em massa dos presos - velhos, mulheres e crianças.[82]
- 1899 - Libelo republicano, acompanhado de comentários sobre a campanha de Canudos, publicado por Wolsey (pseudônimo de César Zama), Bahia: Typ. e Encadernação do Diário da Bahia.
- 1899 - O Rei dos Jagunços, de Manoel Benício, correspondente de guerra do Jornal do Commercio - um livro de semi-ficção sobre os acontecimentos de Canudos e costumes sertanejos.[83]
- 1902 - A Guerra de Canudos, do tenente Henrique Duque-Estrada de Macedo Soares, militar na a última expedição contra Canudos.[84]
- 1902 - Os Sertões, de Euclides da Cunha, que passou três semanas no local do conflito como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo - um livro no qual procurou vingar os mortos no massacre: "Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo".[85]
Os Sertões de Euclides da Cunha acabou por tornar-se um dos mais importantes marcos da literatura brasileira, e como tal inspirou uma série de obras baseadas no conflito de Canudos, escritas no mundo todo. Os mais conhecidos são A Brazilian Mystic (Um Místico Brasileiro), 1919, do britânico R. B. Cunninghame Graham;[86] Le Mage du Sertão (O Mago do Sertão), 1952, do historiador e escritor belga Lucien Marchal;[87] Veredicto em Canudos, 1970, do húngaro Sándor Márai; A Primeira Veste, 1975, do escritor georgiano Guram Dochanashvili; e A Guerra do Fim do Mundo, 1980, do escritor peruano Mario Vargas Llosa.[88]
Além disso, a guerra inspirou muitos filmes também:
- Guerra de Canudos. Longa-metragem de ficção de Sérgio Rezende, com José Wilker, Cláudia Abreu, Paulo Betti, e Marieta Severo. Brasil, 1997.[89]
- Sobreviventes - Os Filhos da Guerra de Canudos. Documentário de Paulo Fontenelle. Produzido por Canal Imaginário, 2004/2005.[90]
- Canudos. Documentário de Ipojuca Pontes, com Walmor Chagas, Brasil, 1978.[91]
- Os Sete Sacramentos de Canudos (Die Sieben Sakramente von Canudos). Filme produzido por Peter Przygodda para a ZDF Alemã, com participação dos diretores brasileiros Joel de Almeida, Jorge Furtado, Otto Guerra, Luís Alberto Pereira, Pola Ribeiro, Ralf Tambke e Sandra Werneck, 1996.[92]
Imagem do filme "A Matadeira" de Jorge Furtado, referindo ao canhão Whitworth 32 usado na última expedição militar contra Canudos
- O Teatro Oficina de São Paulo realiza adaptação teatral da saga sertaneja, iniciada em 2001, com 25 horas de encenação. É apresentada em 3 partes: a Terra, o Homem (I e II) e a Luta (I e II). A peça foi também apresentada no Festival de Teatro de Recklinghausen, na Alemanha, e na Volksbühne de Berlim.
- Outra importante adaptação da Guerra de Canudos teve o nome de O Evangelho Segundo Zebedeu, texto de César Vieira (pseudônimo de Idibal Piveta), realizada em 1971 pelo Teatro União e Olho Vivo de São Paulo.
Em 1976, a escola de samba Em Cima da Hora desfilou com o enredo Os Sertões, baseado no livro homônimo de Euclides da Cunha.[93]
- Acervo da Guerra de Canudos
- Caldeirão de Santa Cruz do Deserto - movimento considerado um "novo Canudos", liderado por José Lourenço Gomes da Silva
- José Aras
- Guerra do Contestado, conflito armado entre posseiros e pequenos proprietários de terra contra o Estado Brasileiro, ocorrido entre 1912 e 1916, nos estados do Paraná e Santa Catarina
Referências
- ↑ Calasans 1997.
- ↑ Galvão 1977.
- 1 2 3 Dantas, Mônica Duarte (2000). «Povoamento e ocupação do sertão de dentro baiano (Itapicuru, 1549-1822)» (PDF). Penélope (23): 9-30
- ↑ Costa, Neffertite Marques (10 de outubro de 2020). «Os diferentes olhares sobre Monte Santo, o coração místico do sertão baiano». TEOLITERARIA - Revista de Literaturas e Teologias. 10 (21): 539–556. ISSN 2236-9937. doi:10.23925/2236-9937.2020v21p539-556
- ↑ «Monte Santo (BA) - histórico». IBGE Cidades. Consultado em 9 de maio de 2026
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- ↑ Vargas Llosa, Mario (2021). A Guerra Do Fim Do Mundo. Rio de Janeiro: Alfaguara. ISBN 978-85-60281-49-7
- ↑ Rezende, Sergio (3 de outubro de 1997), Guerra de Canudos, Columbia Pictures Television Trading Company, Morena Films, Riofilme, consultado em 17 de dezembro de 2022
- ↑ Sobreviventes - Canal Imaginário, página do filme.
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- ↑ Almeida, Joel de; Furtado, Jorge; Guerra, Otto (9 de dezembro de 1996), Os Sete Sacramentos de Canudos, Plural Filmes, Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF), consultado em 17 de dezembro de 2022
- ↑ «Os Sertões, samba de enredo.». Consultado em 6 de março de 2018. Arquivado do original em 13 de maio de 2009
- Calasans, José (1997). Cartografia de Canudos. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, EGBA
- Cunha, Euclides da (2013). Os Sertões 🔗 (PDF). Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro
- Galvão, Walnice Nogueira (1977). No Calor da Hora: a guerra de Canudos nos jornais. São Paulo: Ática
- Galvão, Walnice Nogueira (2001). O Império do Belo Monte: Vida e morte de Canudos. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo
- Macedo, José Rivair; Maestri, Mário (2004). Belo Monte: uma história da guerra de Canudos. São Paulo: Expressão Popular
- Moniz, Edmundo (2001). Canudos: A luta pela terra. São Paulo: Global
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Canudos - Um Povo Entre a Utopia e a Resistência, de Cláudio Maia, David Maciel, Sergio Paulo Moreyra e Sonia Aparecida Lobo, sobre o site do Instituto federal de educação, ciência e tecnologia de Goiás.