Os Perestrello: uma família de Piacenza no Império português (séc. XVI), in Di buon affetto e commerzio…, pp.81-112 (original) (raw)
Last updatedNovember 17, 2024
Abstract
Escrever sobre a família Perestrello afigura-se tarefa complicada por diversas razões. A falta de estudos organizados sobre o assunto, assim como a vastidão de informações dispersas na documentação portuguesa e nos inúmeros trabalhos produzidos sobre esta família, a extensão territorial para onde os Perestrello se deslocaram e os frequentes casos de homonímia dificultam o trabalho.

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References (22)
- Fr. Francisco BRANDÃO, Monarchia Lusytana, Lisboa, Na Officina de Paulo Craesbeeck, 1650, V parte, Livro XVI, p. 49. 10 Idem, ibidem.
- Cf. Prospero PERAGALLO, Cenni intorno alla colonia italiana in Portogallo nei secoli XIV, XV, XVI, Genova, Stabilimento Tipografico Ved. Papini e Figli, 1907, p. 175.
- IAN/TT, Chancelaria D. Fernando, L. 1.º, fl. 85v, 1.ª col., também in Francisco M. SOUSA VITERBO, Trabalhos Náuticos dos Portuguezes, Lisboa, INCM, 1988, p. 383. Bartolomeu Perestrello (I), 1.º donatário da ilha de Porto Santo, casou três vezes: a primeira vez, como acima mencionámos, com , Catarina que casou com Mem Rodrigues de Vasconcelos, juiz ordinário do Funchal, na Madeira, Hizeu ou Iseu, que casou com Pedro Correa da Cunha, de quem falaremos mais a frente, capitão da Ilha Graciosa nos Açores, e, finalmente, Filipa que também vem mencionada como Beatriz (Brites) Furtada e que casou com João Teixeira, filho de Tristão Vaz, 1.º capitão donatário de Machico 43 . O terceiro casamento de Bartolomeu ocorreu, por volta de 1449-1450, com Isabel Moniz. Era, esta, de uma família nobre com interesses no sul de Portugal e na Madeira. O casal viveu no Porto Santo e, segundo algumas genealogias, tiveram 3 filhos: Bartolomeu, Felipa Moniz e Violante Moniz. Felipa Moniz casou, em 1478-1479 com Cristóvão Colombo 44 . Devem-se, no entanto, gastar algumas palavras acerca de um facto que pode incentivar investigações nesse sentido. Ao considerarmos as duas obras através das quais os historiadores podem seguir as pisadas de Bartolomeu Perestrello (I), nomeadamente, a obra de Gaspar Frutuoso e a Historie de signor D. Fernando Colombo escrita por Fernando, filho de segundo leito de Cristóvão Colombo nascido em 1488, averiguamos algumas discordâncias. Na genealogia de Gaspar Frutuoso não se faz menção nem a Felipa Moniz nem a Violante Moniz como sendo filhas do casal Bartolomeu Peres- trello e Isabel Moniz: "casou segunda vez com Isabel Moniz, irmaa de Garcia Moniz e de Cristóvão Moniz, frade carmelita, que foi Bispo de anel. Desta segunda mulher houve hum só filho barão, que se chamou como seu pay, Bertholameu Palestrello, que sucedia na casa" 45 . Mais duas circunstâncias corroboram este facto: o senhor João Perestrello, guardião-mor da Quinta do Hespanhol, afirma que o nome da esposa de Cristóvão Colombo não aparece em nenhum documento do arquivo de família nem em Portugal nem em Itália. Facto, este, surpreendente visto tratar-se, presumivelmente, duma das filhas de Bartolomeu Perestrello (I). Por outro lado, a mesma falta ocorre no testamento do filho do casal, Diego Colón Moniz, redigido a 16 de Março a similitudine di ciriege, ma è giallo. E nota che attorno di detta isola vi si truovano gran pescherie di dentali e orate vecchie, e altri buoni pesci. Questa isola non ha porto; ma ha buon staggio, coperto da tutti i venti, salvochè da levante e scirocco, e da ostro e scirocco; chè con tali venti non si staria ben securi. Ma checchè si sia, ha buon tenitore. Questa isola è chiamata Porto Santo, perchè fu trovata da' Portogallesi il giorno d'Ognissanti: e fassi il miglior mee che credo che sia al mondo, e cera; ma non per gran somma", in J. Martins da SILVA MARQUES, Descobrimentos Portugueses…, cit., Suplemento ao Vol. I, pp. 170-171. 42 BNL (Biblioteca Nacional de Lisboa), Fundo Geral, caixa 203, n. 12.
- Tristão Vaz governou a capitania de Machico durante 50 anos e faleceu em Silves. Casou em Portugal com D. Branca Teixeira. 44 Sobre o parentesco da família Moniz, cf. Anselmo BRAAMCAMP FREIRE, Brasões da sala de Sintra, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1973, vol. III, p. 55-63.
- Gaspar FRUTUOSO, As saudades da terra, Funchal, Typ. Funchalense, 1873, cap. X, p. 53. dita terra aproveite […] e nom aproveitando que a possa dar a outros", IAN/TT, Leitura Nova, Livro das Ilhas, fl. 28.
- IAN/TT, Corpo Chronologico, parte I, maço 3, doc. 14.
- G. FRUTUOSO, As saudades…, cit., p. 53.
- Cf. D. António Caetano de SOUSA, Provas da História Genealógica da Casa Real Portu- guesa, Coimbra, Atlântida, Tomo II, 2.ª parte, 1948, p. 517. (Transcrição do Livro dos Moradores da Casa do Senhor Rey D. João III. do nome, rey de Portugal).
- IAN/TT, Mesa censória, caixa 497, n. 331. 56 BNL, caixa 203, n. 12. 57 Ibidem.
- IAN/TT, Corpo Chronologico, parte II, maço 163, doc. 131: Conhecimento de Garcia Perestrelo em como recebeu de Simão Acciaiuoli, almoxarife dos quintos no Funchal, Madeira, o primeiro terço do seu dote de seu casamento no valor de 72.000 rs. 14 de Julho de 1530.
- A. BAIÃO, "A Inquisição…", cit., 1909, vol. VII, p. 152. 99 Documentos sobre os portugueses em Moçambique e na África Central (1497-1840), Lisboa, Centro de Estudos Históricos: National Archives of Rhodesia ans Nyasaland, vol. III, 1963, pp. 458-469.
- Cf. A. dos SANTOS PEREIRA, "Testamento…", cit., p. 331.
- IAN/TT, Corpo Chronologico, parte II, maço 55, doc. 22: Mandado de Afonso de Albu- querque para o feitor Francisco Corvinel, dar a Bartolomeu Perestrelo que vai por feitor a Malaca, 5 bandeiras das ricas que lhe mandou dar S. Alteza. 9-2-1515.
- IAN/TT, Corpo Chronologico, parte II, maço 56, doc. 54: Mandado de Pedro de Masca- renhas, capitão de Cochim, para Álvaro Lopes, almoxarife da dita fortaleza, entregar a Barto- lomeu Perestrelo 1000 parás de trigo, para mantimento da fortaleza de Malaca. 12-4-1515. 103
- As Gavetas…, cit., vol. VI, pp. 356.
- A. dos SANTOS PEREIRA, "Testamento…", cit., p. 335.
- Cf. A. dos SANTOS PEREIRA, "Testamento…", cit., p. 331. 114 Arquivo Municipal de Alenquer, Doc. F-1, cópia oitocentista. 115
- As Gavetas…, cit., vol. VI, p. 358.
- Doutor Luís Teixeira Lobo, fidalgo da Casa Real. IAN/TT, Corpo Chronologico, parte II, maço 115, doc. 178.
- D. A. C. de SOUSA, Provas da Historia genealógica..., cit., 1946, vol. I, p. 154. 129 Quero aqui deixar um exemplo destas relações através da inclusão do brasão dos Perestrello nas armas de nobres portugueses: "A Gonçalo de Almeida, moço fidalgo morador em Malta, filho de Francisco de Almeida Vasconcelos secretario das mercês em Madrid, foi passada carta de brasão com o escudo esquartelado, tendo no 1.º quartel as armas dos Almeida, no 2.º e 3.º dos Vasconcelos e no 4.º dos Perestrelos", in A. BRAAMCAMP FREIRE, Livro segundo dos Brasões da casa de Sintra, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1927, p. 340.
- Luiz Peter CLODE, Registo genealógico de famílias que passaram à Madeira, Funchal, Edição da "TIPOGRAFIA COMERCIAL", 1952, p. 252.
- Sobre o assunto, ver L. CORREIA DE MATOS, O Desembargador conselheiro Luís Coelho Ferreira do Vale e Faria, Lisboa, Universidade Moderna, 1998, p. 51 e seg.